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  • Crédito: Giovanni Kleinübing/CBB

    Treinador da Croácia nos Jogos do Rio 2016, Petrovic que levar Brasil à Tóquio 2020.

"Não vamos nos por limites", diz Petrovic

Técnico croata ajusta Seleção para Copa do Mundo da China e faz balanço do trabalho no Brasil
Por: Redação e assessorias/CBB - 07/08/2019 15:12:28

O Brasil segue sua preparação em Anápolis-GO para a Copa do Mundo de basquete, que acontece a partir do dia 31/08 na China. Em meio aos treinamentos e ajustes no elenco, o técnico croata Aleksandar Petrovic concedeu uma entrevista à Confederação Brasileira de Basketball. Sobre a participação da Seleção masculina na competição internacional, o experiente treinador foi taxativo: quer o time preparado e jogando de igual para igual com todos os adversários.

"Esse Brasil não pode ter limites para pensar que não vai ganhar as partidas. Esse Brasil vai à Copa do Mundo sem qualquer tipo de pressão. Vamos para a China para desfrutar, a princípio, as três partidas contra Nova Zelândia, Grécia e Montenegro e depois é uma obrigação nos classificar para a segunda fase. Mas não queremos passar apenas por passar. Temos que passar com condições de avançar à terceira fase. Não ponho limites para aonde vamos chegar, mas acredito que é melhor assim, sem demasiada pressão. Vamos entrar nesse campeonato acreditando que podemos ganhar de todos”, afirmou, visando um bom desempenho para garantir uma das sete vagas que a competição dará aos Jogos de Tóquio 2020.

Em quase dois anos de trabalho à frente da Seleção masculina, o técnico já se sente em casa no Brasil. É bem verdade que o domínio da língua portuguesa ainda não veio, mas dentro da área técnica conquistou vaga para a Copa do Mundo da China e ajudou a lapidar talentos do esporte no país. Fora das quatro linhas, o treinador tem posição de destaque no projeto de recolocar a Seleção em destaque no cenário internacional.

Confira alguns trechos da entrevista com o técnico Aleksandar Petrovic:

 

EXPECTATIVAS PARA A COPA DO MUNDO

- Não vamos nos por limites, mas tampouco vamos pensar que estamos melhores que os demais. Para mim todos os jogos são difíceis. Ao mesmo tempo que não acho a Grécia totalmente favorita contra nós, não podemos menosprezar Nova Zelândia e Montenegro. Isso significa que temos que estar firmes defensivamente porque ofensivamente esse time tem muitas qualidades. Temos que estar 40 minutos sólidos atrás, quando isso acontece os resultados aparecem.

JOVENS

- Acredito que Cesar Guidetti e Bruno Savignani também fizeram um trabalho muito importante com essa equipe Sub-21 ganhando o Campeonato Sul-Americano. Mesmo da Croácia eu assistia todas as partidas e dali saiu um quase desconhecido Didi, que foi convocado para a janela do jogo contra Canadá, em Montreal, e nos treinos já se notava que ele tinha algo especial. Depois disso, jogando em Franca o nível dele subiu bastante, ganhou o Sul-Americano, jogou muitas partidas e em apenas um ano já está na NBA. Foi uma infelicidade enorme a morte de Michel Uchendu (Maikão), que era outra jogador desse time Sub-21 que em pouco tempo também poderia estar na seleção principal. Foi um golpe duríssimo para mim, até porque ele estava na lista de 24 jogadores para essa Copa do Mundo da China. Paralelamente também acredito que foi quase um trabalho diplomático falar com todos os jogadores da NBA e tratar especialmente da situação do Bruno Caboblo. 

JOGADORES DA NBA

- Mesmo estando na Croácia eu sempre estou em contato com esses jogadores. Embora não possa falar diariamente com eles, toda semana procurava conversar com cada um deles sobre os treinos e jogos por mensagens ou diretamente através do WhatsApp. Penso que é importante cultivar esse diálogo porque o jogador sente que você como treinador da seleção está sempre atento ao que ele está fazendo em seu time. Foi uma pena não poder contar com o Raulzinho em razão de uma contusão, mas tivemos um contato muito legal com ele, com Felício e com Bruno. Foi uma vitória contar com todos eles depois do problema com o Caboclo há quase dois anos. Na lista de 24 também incluí o Nenê, deixando ele à vontade para decidir se queria ou não estar aqui, mas como não tive um sim dele até o dia 15 de julho, data limite de mandar a relação, decidi convocar os jogadores que aqui estão.

RELAÇÃO COM OS ATLETAS

- Eu como treinador tenho essa facilidade, me conecto com os jogadores. Pode ser que por ser um ex-jogador eu saiba qual a melhor forma disso funcionar, mas também penso que neste momento os jogadores sabem exatamente qual a linha e o limite que eles têm para trabalhar forte e a hora que podem relaxar. Existem momentos de treinar duro e momentos de brincar, até porque estamos na Seleção e aqui não é um clube, onde se vive o dia a dia. É completamente diferente. No clube eu te pago e se você não quiser fazer o seu trabalho eu não te dou o dinheiro, aqui se trata de orgulho, de prazer, de estar jogando pelo seu país. E eu não me sinto estrangeiro, sou muito próximo de todos os jogadores e todo estrangeiro quando chega aqui é frio e só pensa no seu trabalho e nas suas coisas. Eu não sou assim e tenho essa facilidade de me conectar e entender essa conexão e jamais vou dizer "meus jogadores". São jogadores do Brasil. Tenho muito respeito por todos.

 DESAFIO DE DIRIGIR A SELEÇÃO

- Quando recebi o convite não tive muitas dúvidas porque estava muito ansioso em relação ao que poderia fazer com essa equipe. Quando cheguei aqui me recordo bem de estar assistindo à final do Campeonato Paulista e achei uma coisa muita estranha quando vi que o Yago era o terceiro armador, pois para mim bastaram cinco minutos para achar que ele deveria jogar. Depois vi o mesmo com Didi e outros jogadores, e isso é uma vantagem enorme. O futuro do basquete brasileiro é grande, mas temos que mudar a forma de jogar. Aqui o jogo é muito individual. São fortes com a bola, mas precisam ser mais coletivos quando não têm a bola. Precisamos implementar um estilo mais coletivo, porque atletas, fundamentos e dribles nós temos. Aqui todo mundo chuta bem, mas passar a bola e jogar coletivamente não existe. 

VIDA NO BRASIL

- Eu sempre digo que a coisa mais importante não só para um treinador, mas para qualquer pessoa, é prezar os amigos, a família e os animais, que eu adoro. A principal qualidade de uma pessoa são seus amigos. Quando chego aqui me sinto bem porque estou próximo dos amigos que fiz e depois me apresento à Seleção, onde também me sinto em casa. Posso dizer que depois de quase dois anos como técnico da Seleção não tive nenhum problema de adaptação.

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